Enquanto você dormia parte 9
No
alvorecer do dia seguinte, Danae foi até a porta da frente para respirar a
brisa fresca da manhã. Envolta em um xale
da Sra. Turlow, decidiu caminhar até o túmulo de Jassy.
Quando subiu a colina, viu a alta
silhueta de Sion perto da sepultura, com a cabeça baixa, como se estivesse
rezando. Ao chegar perto da sepultura, deparou com uma lápide de mármore com a
inscrição:
Em honra de nossa querida Katherine,
que
ela possa descansar em paz e que todos os seus sonhos finalmente se realizem.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Danae.
Emocionada, aproximou-se de Sion, mantendo os olhos na sepultura.
— Quando isso foi feito? — perguntou-lhe
— A lápide foi colocada ontem.
— Obrigada, Sion.
— Vou deixá-la sozinha. — Dereham começou a se afastar.
— Sion!
O marquês parou.
— Desculpe-me pela noite passada. Eu não
acho que você seja como Camden.
— Em sua opinião, todos os homens são
como Camden. Por
que não pensaria do mesmo modo em relação
a mim? — Ele continuou a caminhar.
— Espere! Não é verdade. Eu nunca pensei
isso de você.
— Não precisa mentir apenas para se
assegurar da minha ajuda. Eu lhe dei minha palavra e pretendo cumpri-la.
— Seu presunçoso! Não preciso tanto assim da sua ajuda. E
depois... você me magoou, Sion.
— Se a magoei ontem, não foi deliberadamente. Devia saber disso.
— Nem mesmo quando me viu usando o
vestido de sua esposa?
— Do que está falando?
— Não finja que não sabe! Ontem, no jardim, você
gritou comigo por causa do vestido. E se essa é a atitude que vai tomar, então
retiro meu pedido de desculpas. — Assim dizendo, ela se virou para se afastar.
— Oh,
não! Nem pense em me deixar falando sozinho! Vamos
esclarecer isso. Você interpretou mal o que falei sobre o vestido. Não é
possível que me ache tão mesquinho!
— Deixou bem claro que é. Seja homem e
admita!
— Está bem. Admito, mas não quis dizer
isso.
— Então, o que quis dizer?
— Você agiu contra os meus desejos e
tentou forçar-me a encarar Tory.
Não posso fazer isso agora, Danae. Gostaria que entendesse.
Quanto ao vestido, aquele em especial despertou em mim péssimas recordações.
— Sinto muito — ela murmurou. — Mas e
quanto a sua intromissão nos meus desejos? Você sempre acha que pode me tiranizar.
— Quando me intrometi em seus desejos?
— Bem, você me beijou várias vezes, e
minhas aulas de equitação ainda
nem começaram.
— Sendo assim, não fui contra os seus
desejos: se me lembro bem, você também gostou dos beijos.
— Oh!
Seu convencido! — ela exclamou, corando. — Você não passou pelo vexame de ser
colocado sobre o ombro e levado aos gritos para o quarto!
— Está bem, você tem razão. O que mais eu
fiz contra seus desejos?
— Ficaremos aqui o dia todo se eu for
enumerar minha lista de reclamações, Sion. Não mude de assunto. Se o vestido
não o deixou furioso, então o que fiz de errado?
— Eu já lhe disse, Danae. Ainda não posso
enfrentar Tory. Dê-me algum tempo, por favor.
— Sinto muito. E que fiquei com pena da
pobrezinha, sozinha e abandonada naquele sótão
empoeirado. Gostei de Tory assim que a vi, e não queria que
ficasse esquecida.
Sion abraçou-a, e Danae apoiou a cabeça
no ombro forte.
— Desculpe-me, querida — murmurou, com os
lábios na têmpora da jovem. — Tory nunca será esquecida. Obrigado por tê-la no
seu coração. Vocês duas gostariam muito uma da outra. Aliás, se é tão
importante para você, pendure o retrato onde quiser.
— Obrigada, Sion. Não o porei em nenhum
cômodo que você use.
— Muito obrigado.
Ele abaixou a cabeça e beijou-lhe os
lábios. Logo em seguida tentou afastar-se, mas Danae o impediu.
— Beije-me, Sion.
— Não posso...
Danae virou-se para ir embora, mas ele a
puxou pelo braço e abraçou-a de novo.
— Espere!
E os dois voltaram a se beijar
apaixonadamente.
De repente, uma rajada de vento soprou,
levantando poeira a ponto de quase sufocá-los. E, do jeito que veio, a ventania
se foi. Desconcertado, Sion olhou ao redor, mas tudo estava em paz. Olhou para
Danae e a viu sorrindo.
— O que foi isso? — ele perguntou.
— Acho que foi Jassy...
— Oh,
por favor, Danae. Já me disse uma vez que Jassy fala com
você, mas agora está indo longe demais.
— Acredite no que quiser, Sion. Não estou
louca: ela se comunica comigo.
Juntos, os dois olharam para o túmulo de Jassy.
— Ela realmente fala com você? Danae
concordou, meneando a
cabeça.
— Você acha que aquela ventania... foi
Jassy avisando que não gosta de mim?
— Oh,
não se preocupe com isso. Se não o aprovasse, o fenômeno
teria sido mais violento; um raio, por exemplo. Jassy nunca foi tímida para
expressar suas opiniões. Ela gosta de você. — Rindo, pegou a mão do marquês, e
caminharam em direção da casa, discutindo a respeito da visita de Camden e Halsingham, partilhando seus pontos de vista em
relação à entrevista.

Comentários
Postar um comentário